quarta-feira, 27 de maio de 2009

Andamos todos uma casa ao nosso lado.

"Olha o ramo da espiiiga!". O pregão e os raminhos alinhados fizeram-me sorrir logo de manhã. Mas a seguir veio a nostalgia. Não sou de cá. Sou de um sítio onde a espiga não se compra na rua quando o vermelho aceso faz sobrar um minuto para não correr. Sou de um sítio onde a espiga se apanha no campo. Não se paga por ela. É apanhada meticolosamente em família e depois é a mãe quem compõe o raminho, com o carinho de uma mãe. Lá nada está no raminho por acaso, tudo tem uma simbologia.
E de repente, a infância... É que lá de onde sou as crianças sabem a que cheira a terra molhada. Quando se descalçam chove areia dos pés. Ainda brincam, sujam-se e se calhar continuam a provar azedas. Lá ouve-se "bom dia" e "boa tarde" e as pessoas têm um nome. Senão têm uma alcunha, um parentesco (são filhas de... ou netas de... maridos, mulheres... primos do marido da filha de...), senão não são de lá... Lá de onde eu sou também se vê o céu quando se olha em frente, não é preciso olhar para cima.

Estive onde não podia deixar de estar, e vim-me embora rapidamente. Sou daqui.

Lisboa, 21 de Maio de 2009.

sexta-feira, 15 de maio de 2009


Pede-se a quem tiver o controle remoto da minha vida que o devolva, sff. Obrigada.

quarta-feira, 6 de maio de 2009


- Mas tu não vês que não estás a falar de pessoas?
- Claro que não estou. Estou a falar de jóias.
- ...
- Sim, é isso mesmo. O que é que não percebes, as semelhanças ou as diferenças?
- Nada.
- Pois não. Não vês que aqui as peças não caem de cima? Não vês que as cores e as formas se têm de juntar? Não vês que não podes trocar as peças todas de lugar? Há regras.
- ...
- Tu ainda não percebeste o truque do Bejeweled...
- Tem truque?
- Claro que sim.
- ...
- Ouve: as peças de cima estão mesmo ali à vista. Mas se caímos na tentação de jogar com elas bloqueamos o jogo.
- O segredo é começar por baixo?
- O segredo é jogar sempre por baixo.